Escucho el silencio del tiempo que pasa _ escuto agora o silêncio, me quedo con él y en él, entro en las letras y en los números _ atravesso letras e números, embalo e calo _ las callo y los cuento, busco el prodígio de la relación constante _ afloro o prodígio da relação constante, a assombrosa claridade do silêncio, o encontro transparente da verdade _ el asombro cintilante de la vida ____ SOY pi & phi _

22/4/09




















O primeiro que quis de ti
foi essa capacidade de ver
as coisas que não se veem
e que não servem para viver.

O segundo foi o teu sorriso,
porque não te sei sem ele.

O terceiro foram teus olhos,
porque falam,
e escutei neles a uma menina,
e a uma mulher antiga.

O quarto foram teus pés,
retangulares e redondos,
razão e terra,
que te levam com o vento nas costas.

O quinto teus beizos,
que apanham teu sorriso
e dão na minha boca.

O sexto foi teu peito aberto,
que abriu o meu em flor
e me transformou em virgem.

O sétimo foi a tua voz,
que desde o fundo do poço,
foi um sino ecoando.

O oitavo essa determinação tua,
capaz de doer tanto,
de formar-te tanto,
de engrandecer-te e encogerte,
coração em sístole e diástole.

O nono tua raiz,
tua ancoragem à terra
que nem te âncora nem te retém,
mas que é em ti como tu mesma.

O décimo,
o décimo que quis de ti,
ainda não o sei,
mas sei que o quero tanto
como tudo o que quero de ti,
como tudo aquilo que sei que é verdade,
como tudo o que dás-me sem sabê-lo,
sabêndo
ou sem que o saibamos nenhum dos dois.

Não quero ser sem teu olhar,
esse que nos diz aos dois
que viver não é necessário,
que não precisamos de nada,
nem sequer de enumerar o que queremos,
nem de palavras,
nem de versos,
nem de poemas,
quando nos olhamos os dois em silêncio,
um ao outro,
o outro a um,
assim.







2 comentarios:

~pi dijo...

“Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor. Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o Inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela, sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.”

José Luis Peixoto in A criança em ruinas

~pi dijo...

voltei a ler o texto de J L Peixoto

e sim , achei-o ainda mais excessivo,

? direi

improvável

daí porém a sua beleza

daí que encaixe de muitas formas nos teus pontos

falando ele mais

intensamente do ponto 10.

do

ponto

dez





~

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