Escucho el silencio del tiempo que pasa _ escuto agora o silêncio, me quedo con él y en él, entro en las letras y en los números _ atravesso letras e números, embalo e calo _ las callo y los cuento, busco el prodígio de la relación constante _ afloro o prodígio da relação constante, a assombrosa claridade do silêncio, o encontro transparente da verdade _ el asombro cintilante de la vida ____ SOY pi & phi _

31/10/09




Tenho uma esperança com nome,



com a cor das cores que não tenho,


cheia de abraços na pele,


tão larga como um río transbordado,


com o comprimento do eco de um sino,


profunda como um poço infinito.











Tenho uma esperança de vento,


de água natural que brota das pedras,


de nuvens que me chamam no céu,


de madeira de árvore ancorada à terra,


de caminhos que levam a lugares.









Tenho uma esperança de carne,


onde minha carne e meu sangue serão [transubstanciadas],


em onde viverá a vida e morrerá a morte.












Tenho uma esperança de tempo,


de acordar do sonho e deitar-se a sonhar,


de partilhar a idade que tive e a que tenho,


de buscar e encontrar a maneira de mantê-la.









Tenho uma esperança que recupera minha fé,


que me devolve, que me retorna,


que me integra a uma verdade que sempre viveu em mim.













Tenho uma esperança que não vou perder,

mesmo que seja a esperança o último que se perde.




30/10/09









O cachorrinho não sabe voar,

salta e pula, movimenta a fila,

ladra, procura seu brinquedo...




O cachorrinho não sabe voar porque não sabe que não sabe,

se soubesse que não sabe voar,

aprenderia e voaria.




Então o cachorrinho iria a tua procura,

a onde seja que estejas agora

e ao aterrissar a teu lado,

saltaria, pularia, movimentaria a fila,

ladraria e jogaria contigo.




O cachorrinho não sabe voar,

mais tentao todos os dias,

ainda sem sabê-lo,

porque o cachorrinho sabe que tu,

és seu vôo.




















29/10/09






Menina que vem sem nome

nomeando a quem a esperou,

à água, à luz, ao homem

e à mulher que a engendrou.





Menina que vem renomada

por aqueles que a esperam vir,

que vive na alma guardada,

cravada no coração de rir.





Menina que nomearemos

filha da nossa vida enteira,

menina que ainda não temos,

pela que os dois viviremos,

até ver-te nascer verdadeira.



















28/10/09





















Gran amor inerte,


con gran dificultad de entenderte,


que nada lo sustituye


y aún en lo inerte fluye.







Gran amor activo,


con calor para nuestro frío,


que con un soplo convierte


en activo todo lo inerte.







Gran amor que es así,


nutrido de ti y de mí,


de la vida que tenemos


y de la muerte, que evitaremos.











24/10/09













Continuo acordando cedo,

pensando em ti,

sem saber muito bem que fazer.





E ainda bem que o ansiolitico me acalma,

que o antidepressivo me mantêm,

que sete comprimidos mais atacam ao vírus,

e que um redondo e branquinho bloqueia a diabete.







Não sei o que seria do meu corpo sem eles,

como não sei que é dele sem ti,

que acorda cedo,

sem saber muito bem que fazer.









23/10/09







A luz, a água, nossos nomes e um sopro que em todo nos integre.



22/10/09






















Chorar sem esquecer o pranto de não perder-te,

por não querer nem poder esquecer-te, vida minha.









7/10/09




~








boca tão sexo

água jorrando

,in-color

parto-mulher

partes de canto

asas de lobo

patas de corvo

murmúrio-dor


[ e


como na lenda

pedras que são

peças de corpo

que buscam rosto

,escorre limpa

ri-de-raiz

riso-dançante

] água-que-espera

sopro,








6/10/09









Vou a cortar-me as veias,

para que saia de mim o sangue,

para que caia sobre as tuas mãos,

mãos cheias da terra do coração,

coração no qual vive a vida,

vida à qual chegarei no meu sangue.








Vou a cortar-me as veias,

para que saia de mim o que sou

e morra entao o que vou morrendo,

nascendo assim o que mato,

indo eu no que flui.








Vou a cortar-me as veias,

algum dia vou a cortar-me as veias,

e escrever esse poema que me aguarda.




















5/10/09




~



( ía



des



c )



ia



n a- r) i a - í a







.













Meus hábitos habitan-me,



mas eu não os habito a eles,



meus hábitos só são meu [abito] italiano.



3/10/09







Mesmo que ja não escreva todos os dias,

todos os dias te escrevo,

porque eu já não sei escrever,

nem sei dos dias que não passam.




Mesmo que não leias que te escrevo,

eu sou esse que no ar te solta o vento.









1/10/09

A MULHER DO ANANÁS



O ar está tão tranquilo que [inexiste],

mas apesar disso, respirar é muito simples,


basta saber que ao cruzar a foz,

pelo mesmo nariz onde entra o [inexistente] ar,

entrará em mim o teu cheiro,

o teu ar,

o único ar que existe.


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