pi & phi

Escucho el silencio del tiempo que pasa _ escuto agora o silêncio, me quedo con él y en él, entro en las letras y en los números _ atravesso letras e números, embalo e calo _ las callo y los cuento, busco el prodígio de la relación constante _ afloro o prodígio da relação constante, a assombrosa claridade do silêncio, o encontro transparente da verdade _ el asombro cintilante de la vida ____ SOY pi & phi _


9/1/17















Este ano,
a minha cadela veloz,
corre livre pelos seus lugares mágicos,
pela relva e pela praia da sua eternidade
de ursinho de cabelo negro encaracolado,
pela via láctea do seu peitinho branco.

A minha Pulguinha.., sim, minha também.

Este ano,
este natal,
eu também me lembro dela e sei,
que foi em paz comigo e com a vida.

Este ano,
ela corre por mim e em mim.

Aprendi-mo de ti, Pi, a minha Pi também.
E tenho muito orgulho em dize-lo.

Feliz Natal, Pulguinha!

Feliz Natal Pi!






















E deu por ser que eu estava cá,
aguardando pelo ano novo que vinha,
que cheguei a este lugar da vida, do mundo e de mim,
que arribei sem caravela nenhuma a este Porto.

E estando cá,
cortei fruta, fiz café, fumei,
fum a casa de banho,
escutei miar a Fianólica,
roer ao rato coelho Pirata
(que também não tem caravela),
estava eu vivo.

Mais ainda não chegava o ano novo,
eu estava vivo nele,
mais ainda ele não estava vivo em mim.

Se apareces agora pela porta
e digo eu: Bom día!
e tu sorris,
o ano novo chegará.

Então eu terei a minha caravela,
a minha vida.























5/1/17















Quero a liberdade nua,
a dos campos mágicos de relva
por donde corre, veloz, uma cadela,
a da atitude zen dhuma gata atravessada e nomeada por um poema,
a dos cacifos de Sta. Apolonia en greve,
a dos polícias aerodinámicos,
a da verdade da minha vontade certa,
a de Ser eu em ti quando,
com esa messma liberdade nua que quero em tudo,
amote em todas esas cosas que quero.



 Dezembro de 2016























No inicio, caminhei por diante de mim,
destrozando a floresta toda,
sem atender a mais nada que ao que aparescia,
pretendendo ser o descubridor da fonte,
dando golpes de machete a tudo,
matando a vida sem conhecemento.

Depois, caminhei ao meu lado,
atento eu a nao romper nada,
preveendo as fervenzas e as simas,
respeitando o natural dos matos,
afastando, sem partir, os ramos picudos,
olhando em cada regato uma fonte.

Finalmente, vou por diante de mim,
esclarezco o meu caminho para mim proprio,
sempre atento, sempre, porque eu mesmo venho por trás,
com o meu olhar e o meu coraçao ja abertos ao trilho,
ao percurso de viver e ser,
sem medo de romper nada, de cair por fervenzas,
simas ou enganarme na direcçao do percurso.

Sei a onde vou e o que quero,
sei que estou no caminho certo,
porque ja fum tudo o que dijem que fum,
porque ja nao o sao,
porque ja bebim da fonte eterna do que quero,
porque ja sei onde está a agua que me alimenta,
porque ja nao pretendo descubrir nada,
porque ja nao quero regato nenghum,
porque ja cheguei a verdade.
Porque ja fiz amor contigo.


Natal 2016.




















O Problema da Sinceridade do Poeta

O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir. Nada disto tem que ver com a sinceridade. Em primeiro lugar, ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o que não sente é com qualquer espécie ou grau de sinceridade intelectual, e essa é que importa no poeta. Tanto assim é que não creio que haja, em toda a já longa história da Poesia, mais que uns quatro ou cinco poetas, que dissessem o que verdadeiramente, e não só efectivamente, sentiam. Há alguns, muito grandes, que nunca o disseram, que foram sempre incapazes de o dizer. Quando muito há, em certos poetas, momentos em que dizem o que sentem. 
Aqui e ali o disse Wordsworth. Uma ou duas vezes o disse Coleridge; pois a Rima do Velho Nauta e Kubla Khan são mais sinceros que todo o Milton, direi mesmo que todo o Shakespeare. Há apenas uma reserva com respeito a Shakespeare: é que Shakespeare era essencial e estruturalmente factício; e por isso a sua constante insinceridade chega a ser uma constante sinceridade, de onde a sua grandeza. 
Quando um poeta inferior sente, sente sempre por caderno de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas — tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassílabos como usaria luto na vida. 
O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo. 

Fernando Pessoa, in 'Ideias Estéticas - Da Literatura'






Numca quis ser um poeta,
porem, sempre quis ser homem.

Para ser poeta faltabame sinceridade intelectual,
para ser homem faltabame sinceridade humana.
Eu nao sabía nada dissto.

Agora sei que nunca serei poeta,
mais tambem sei que sao e serei homem para sempre.

A poesía tentou enganarme,
tanto tentou enganarme que,
mesmo nao querendo ser poeta,
eu quería ser um poeta,
inferior, medio o superior.

Mais tambei a poesía levoume,
quase paradójicamente,
a sinceridade conmigo mesmo,
num percurso onde sofrer é o caminho
e onde sentir é o inicio da verdadeira viagem.

Agora que sinto como um homem,
agora que sei o que nao sabía,
agora que reconheço a minha pobreza intelectual,
a minha torpeza humana,
agora que sao sinceiro,
nao quero perder mais nada,
ja estou preparado para viver e morrer ao teu lado.




Natal 2016
























Quero nomear ao tempo que vem,
ao tempo que vai,
ao  tempo que eu sao e quero ser.

Invocar a presença do meu espirito,
nada sobrenatural,
pra darte com os meus olhos a minha vida.

Quero nomearte a ti, Pi,
como todo o tempo que tenho
e com todo ele.

Quero nomearte em mim,
presente eu ao teu lado,
sinceiro e verdadeiro
e que chegue a nos o ano novo,
a vida nova
e todo o tempo do mundo.



Natal 2016


















Este natal estúpido cheio de aviões a voar
e que não voam para lado nenhum,
de escuteiros do nada e que nada escutam,
de tapetes vermelhos e lazos verdes
nas ruas cheias vazias para mim,
de pessoas indiferentes e anónimas.

Este natal onde nada do que quero nasce
e tudo lentamente vaime morrendo,
onde debese dreaming on a white crhistmas,
mais só  una negrura a volta ao fim do día,
quando o sol vaise de mim pelo oceano,
onde vim hoje a agonizar com este rio.

Este natal que não sonho,
que vivo sem viver e sem vivi lo,
que não me pertence,
que não quero.

Este natal que doe tanto
como quando as verdades que digo
são nomeadas com nomes de mentiras.

E doenme ate os alicerces dos rios,
aquilo que não tem nome ao nascer,
doeme o flujo redentor da alma
na sua consciência de ter mudado,
na sua verdade de rinascimento,
no seu SER uma nova vida,
por não ser reconhecido com um novo nome
e voltar, a cada paso novo que eu dou,
a ser condenado pelo que não são,
a ser visto como esta foz deste rio,
aqui, o Lima,
ali, o Lethes,
que é o do esquecimento,
muito, mesmo muito acima.




Viana do Castelo, Natal 2016






2/1/17


















Fueron las palabras las que me engañaron,
son ellas las que llevan esta verdad.

Fueron las palabras dichas, escritas y olvidadas,
las que crearon en mí la mentira de mi mismo
y son ellas, no las mismas, pero iguales,
las que aquí son el alma de mi vida.

Entiendo que, por ser ambivalentes,
mis palabras y mis palabras son palabras.

No entiendo que,
por su único valor,
por su esencia real indiscutible,
mi cuerpo en ti sea una duda,
mis manos en tus pechos una experiencia,
mi deseo de ti una circunstancia
y mi amor por ti literatura,
poesía,
palabras tiradas al aire.

Porque no son nada de eso.


Navidad 2016






Mi amor es más fuerte que tu olvido,
más absurdo e inútil.
Pongo un sello en la postal y te la envío,
le gano al tiempo tu condena,
conjuro al pasado anticipando el presente,
aunque no te sirve de nada
y a mí de nada me sirve.

Mi amor es más fuerte que tu olvido,
más verdadero y justo.
Escribo estas palabras y las envío,
venzo a la razón en su terreno,
la niego y la desafío, la destruyo,
aunque todo de ti me dice No
y todo de mi No me dice todo.

Mi amor es más fuerte que tu olvido,
és más yo que yo mismo.
Abandono el Argos y la vida,
renuncio a mi pecado original,
cambio mi cuerpo por tu alma,
recorro mi camino desnudo,
niego otros senos que los tuyos,
otra verdad en mí que nosotros,
deserto de todo lo que no eres tú.

Mi amor es más fuerte que tu olvido,
pero tu olvido amenaza mi amor,
con tanta fuerza,
con tanta insistencia,
con tanto coraje,
con tanta fiereza,
con tanto olvido,
que mi amor olvida que te ama,
tu amor olvida que te amo
y nuestro amor se olvida de nosotros,
absurda e inútilmente,
injusta y falsamente.

Porque somos nosotros mismos
los que nos amamos y no podemos olvidarnos,
los que nos olvidamos de que nos amamos.

Pero mi amor es más fuerte que tu olvido.


Navidad 2016





Agarrado a tu cintura, creo que el mudo no existe,
sé, de hecho, que no existe.
Porque ya me agarré a tu cintura
y perdí el mundo entonces, entero
y no me importó nada más que agarrar tu cintura.

Agarrado a tu cintura, yo,
perdido del mundo y extraviado de mí,
SOY.


Navidad 2016












8/7/16

~

terra ocre arrastada na tarde
água e água abaixo
vinho acima
o outono de novo manifesto
como outro Bukovski
grisalho
infinitivo
faminto do seu lsd, da sua cerveja
os pés cansados, a voz se calhar
as telhas partidas por vias do horizonte -
assim vi ali o outono 
folha solta num varal.


~

19/6/16



















5/6/16

~

dos olhos dos insetos




assim era verão quando acreditava

acreditou que já não se perderia na floresta de urze
nos olhos desmesurados revia
os pinheiros mais altos ondulando ainda quando se deitava 
- os mesmos
o rio correndo na cauda musical 

as folhas secas as mesmas e filhas das mesmas

as silvas embora já sem lençóis brancos para acenar
(cresceriam ali outras amoras?) 
tudo era diferente e tudo 
era igual -
pelo fio da calma regressava a casa.




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