Escucho el silencio del tiempo que pasa _ escuto agora o silêncio, me quedo con él y en él, entro en las letras y en los números _ atravesso letras e números, embalo e calo _ las callo y los cuento, busco el prodígio de la relación constante _ afloro o prodígio da relação constante, a assombrosa claridade do silêncio, o encontro transparente da verdade _ el asombro cintilante de la vida ____ SOY pi & phi _

30/12/09






















Estou farto de medir o tempo dos caramelos de cores,

dos laços feitos de fitas espalhados pelo mundo inteiro,

de gerir a vida como se a vida fosse a minha empresa,

da mecânica dos fluidos que explica o voo dos pássaros inexplicáveis.







Estou farto de tudo o que não escolhi,

de tudo o que me foi dado sem eu o querer receber,

farto da devoção fingida da bondade dos homens e mulheres bondosos,

dos sofismas tópicos, dos eufemismos disfémicos,

das perífrases verbais onde a palavra não se faz carne.







Mais sei que tudo pode ir a pior (Porque já foi),

e não me vou render a vontade daquilo

que não pode ser superior a mim próprio,

não vou deixar de escrever nem de respirar,

embora isso seja o único que algum dia me possa ficar,

embora morra escrevendo ou afogado,

porque sou carne e sangue no que sinto

ate a ultima letra e o ultimo suspiro da minha vida.










29/12/09



























Me faltas tu cuando no estas

y cuando estas y me faltas.




Me faltas ahora,

que no estas sentada a mi lado

y te escribo estas palabras tan al sol,

tan frías, tan húmedas y voladoras.




Pero también me faltas cuando,

sentada a mi lado,

desapareces de mi en ti,

te vas a secretos guardados,

a fantasmas vivos,

a deseos extraordinarios,

abandonandome descarnadamente,

casi con pasión.




Tolero este sol frío y húmedo

desde el que nace el vuelo de lo que escribo,

tan sin tus ojos clavados en los mios,

tan sin el abrigo de tus ojos,

porque se que volveré a ti y te diré de donde vengo.




Sin embargo,

que facilmente siento la ausencia de tu mirada,

que difíciles se me hacen tus fríos ojos en blanco para mi,

cuando te vas de mi lado estando yo al lado del tuyo,

instalando la seguridad de saberte ajena,

de saberte de ti misma y de otros.




No cuestiono la libertad de sentirse libre,

la claridad que cada uno precisa de si mismo,

en realidad no cuestiono nada,

solamente querría que al volver,

porque yo se que tu también volverás,

me dijeras en donde has estado.








25 de Diciembre de 2009,
dia de Navidad en la ciudad en la que naci.







































Sinto o que sinto,
sem justificação nem raciocínio,
sem interesses nem sentido da propriedade,
sem explicações nem mentiras.





Assim,
se sinto o substantivo feminino da doçura
numa mulher fragilizada e inteiriçada de frio,
atacada sem saber defender-se na procura de defesa,
tentando escolher a sua própria escolha,
por muito abécula que a mulher seja,
sinto assim.





O analise da situação,
que implica raciocínio,
justificação,
interesses,
propriedades,
explicações…
pode dar sentido a mesma
(coisa boa para a sua solução)
mais o sentido não é o sentimento,
e eu não sinto com sentido, já dizem,
sinto o que sinto,
ainda que não serva para nada.








26/12/09



















As palavras marcam o passo do tempo com maior certeza
que qualquer divisão que o homem faça do tempo,
com mais verdade que eles próprios,
homem e tempo.

São elas as que nomeiam todas as coisas que existem e não,
só elas baptizam ao verão como verão,
ao minuto como minuto,
ao jovem como jovem,
ao vento como vento,
a memoria como tal.

O tempo não transcorre sem palavras e,
como ele,
nunca ficam detidas.

Olha para elas aqui,
tão caladinhas,
tão pouquinha coisa,
tão conspícuas,
tão aparentemente inofensivas…

Olha para elas e diz-me quanto tempo demoraste nestas,
diz-me, se é que podes,
que não foram elas as que marcaram o teu passo,
que não nomearam todo o que tens visto,
que não tenham-se mexido em ti
como a tua própria sangue se mexe.

!Cuidado com as palavras!

Podem entregar-te ou quitar-te mais do que a vida com um só sopro da sua existência
e em um só sopro da tua.








25/12/09





~




[ só tu me viste e assim me reconhecerás,






também

sobre o homem que dorme na ponte parada

todas as línguas se

reduzem a nada e porém volta-e-volta-o-homem

na boca do peixe aberta cruxificada

sobre a face-lenta que dorme e se escava

os olhos de vidro pessoas-que-passam-janela-fechada

caveiras de carros seguindo ][ por-dentro-esfumadas

da estação-fronteira sem porta de entrada

ecoam no-fundo do-fundo dez silvos há muito passados

[ o pequeno homem-da-barca cristalizada jaz-in-tocado:





atravessam-no dias a fonte de ouro um rio de nada

caem-lhe domingos debruando outros-caem patos-bravos e

raros estranhos levitando as margens

sobre o homem morto ][ quase-morre-a-estrada

pairam mãos caladas e bolsos atados

nasce luz-de-enxadas
] e um menino vivo que bebe ali sempre no sulco plantado

canta-lhe das veias dos seus afluentes à água açaimada

restos-de-tecido [ gravura-gravada

queimando quem passa no seu pé-de-cabra

infinito-de-árticos-corrido-à-pedrada

] do traço sanguíneo as linhas-de-fuga à torre do centro

[ ocre-e-ponto-cruz faz venenos-vários: fios-de-ovos-pão

de-ló-e-sanguessugas arroz-acre e

rabanadas










.

23/12/09



















Esperame, amor, profundamente,

en el fondo de ti,

en lo mas recóndito de tu memoria,

en aquel tiempo perdido en el que todo era un milagro.







Esperame, amor, en aquel cielo,

que todo lo llenaba de luz,

que lo abarcaba todo,

porque aun no habías vivido ni muerto.







Esperame, amor, en la puerta de casa,

que yo iré contigo a la escuela,

al campo lleno de olivos,

al pozo de las palabras,

al día nuevo que amanece.







Esperame, amor, esperame,

que yo iré a tu encuentro,

a tu búsqueda,

a tu secreto,

para ser yo en ti desde siempre.



























Não sabes quanto te amo,
dizes-te olhando para mim,
foi depois de ter deitado
o Moët Chandon ao jardim.


Sim te falo de sensações,
dos sentidos que eu percebo,
tentando partilhar emoções
que eu por estar vivo recebo,
sim inocente-mente digo
que me sinto bem sentado
entanto o ar dum suprido
me faz sentir-me soprado,
sim eu em nada disto acho
nenhuma deslocação de ti
porque é a ti a quem falo
dos sentidos que eu senti,
acredita que há em mim
vontade de estar ao teu lado,
porque se não fosse assim
o que sinto não seria contado
e o que conto não seria a ti.
Ou preferes-me só e calado
a beber champanhe no jardim?



Não sabes quanto te amo,
dizes-te olhando para mim,
e não o sei, isso é claro,
nem tu sabes o que eu te amo a ti.










22/12/09



~








[ ... far

from

harm
from

silver walls

[ still

keep-me-breathing,






.




































Meu corpo sua palavras

e sua suor meu corpo.









As palavras que suo não esperam nada,

são somente suadas.








Meu corpo esperou pelo teu

para suar as palavras que te esperavam.







Sua para ti meu corpo,

sua suor e palavras

e já não espera nada,

e já não espera nada,

e já não espero nada…



























Como tu sabes,
que también escribes,
escribir es una catarsis en su primera función,
un ejercicio de respiración lenta y profunda,
un acto sin actor ni fin.



Como tu sabes,
que también lees,
leer es (o no es) una catarsis en su primera función,
un ejercicio de oxigenación o suicidio,
un acto con actor (o no) y con fin.



Como tu sabes,
que también amas,
amar no es nada en su primera función,
un ejercicio infinito sin finalidad,
una verdad eterna sin teatro.



Sudo al escribir,
sudo (o sudan para mi) al leer,
pero solo en el amor esta la entrega,
por eso acabo aquí este poema.








21/12/09



















Há um homem afundando-se na água do rio que o olha,
afogando-se baixo a ponte que cruza o rio,
afundando-se no água da chuva que cai do céu,
afogando-se no céu ao que se cai sem remédio.



Há um homem caminhando em círculos,
com a vida extraviada entre suas mãos,
com as mãos intrometidas nos bolsos,
com os bolsos cheios de suas mãos.



Há um homem só na estação vazia,
entre os escombros do tempo abandonado,
lembrando aquele comboio que vê passando,
obrigado a viver consigo mesmo.



Há um homem que chora em uma barca,
em uma barca que não navega,
que esta inundada de água de chuva,
de água do rio
e das lágrimas do homem em terra.



Há um homem que amanhece em um alba escura e profunda,
esperando a luz de um novo dia,
um alba que sempre é preta,
para voltar a afundar-se no seu pranto.



Eu vi a esse homem passar a meu lado,
vim a sua face,
e soube tudo isto em Barca D'Alva.



































Dame todo el dolor que tu guardas,

que yo solamente sufro el mio,

descarga ese peso en mis espaldas,

que mi dolor sin el tuyo esta vacío.






Dame tus verdades, lo que sientes,

deja la seguridad por insegura,

porque así sabré que no me mientes,

y serás toda tu en tu envergadura.









Yo quiero mucho mas que tu alegría,

que tu risa y tus ojos sonriendo,

yo quiero tu lágrima en la mía,

ser aquel en el que tu dolor confía,

!Dame ese dolor que estas sufriendo!








20/12/09









Que tas a pensar?





Não sei porque todos os dias fazem a mesma pergunta,

as vezes só tenho coisas na alma e a mente nem o sabe.







Ou será que tenho coisas na alma permanente-mente?

















19/12/09




















La palabra flotando en el aire

y el viento volando hacia el silencio,

toda la voz viajando y no lo sabe,

todo en mí rebotando como un eco.





Que el poeta diga lo que no dicen otros,

que el poeta diga lo que otros no callan,

que entren sus palabras en nosotros,

y con el viento al silencio se vayan.





Cumplase, pues, lo que será,

aquello que fue, lo que esta siendo,

que sea en la palabra la verdad

y regrese después hasta el silencio.





Hágase en mí mi voluntad,

hágase en ti también la tuya,

que la palabra sea realidad

y con el viento al silencio huya.





Que retumbe este ruido callado,

que brille esta luz tan oscura,

que lo dicho dure lo que el tiempo dura,

y que alcance el silencio lo contado.





La palabra flotando en el aire

y el viento volando hacia el silencio,

hay una puerta que se abre,

y todo lo que esta adentro sale,

y se cierra después con todo adentro.









18/12/09





~








pá S
S aro























tudo asa s



frio-verde-vermelho-branco-chão



azul-azul-cor-rente,



à terra o céu [ céu líquido es-faro l ado,


con-cavidade amena ] entre a neve o coração











17/12/09




















Yo quería que me vieses volar,

que me sintieras como un pájaro inexplicable,

como un hombre adulto que sabe

que volando mas allá de las barreras de la tierra,

de montanas, valles, sierras, rios…

que traspasando fronteras que parecen infranqueables,

se puede vivir en la libertad de nuestra paz.









Y tu viniste conmigo,

y yo te lleve a volar ,

y después aterricé a tu lado,

como un grifo en su nido

y los dos estuvimos de acuerdo.












Tu querías que te viese caminar

por los caminos que calientan tu alma.

en medio del frío y de la nieve,

caminos de brasas y almuerzos,

de vestido abierto y hombres asustadores,

princesa del mediodía,

regadora de plantas en la baranda,

metiendo la cabeza entre las rejas,

buscando la libertad y la paz.











Y yo fui contigo,

tu me llevaste a volar,

y después aterrizaste a mi lado,

como una niña en su padre,

y los dos estuvimos de acuerdo.











Ahora, caminemos y volemos los dos,

que ya llega el tiempo de la paz,

de la libertad del pájaro y la princesa.



Comencemos el cuento desde el final,

desde el punto en donde acaba esta historia

y empieza la verdad que construiremos.









10/12/09



















Choram as árvores em Viseu,
na noite cheia de estrelas,
sem nenhum frio,
sem vento nas costas,
sem dores antigas,
no meio dum licor beirão,
entre os sorrisos dum passeio,
sem mágoa nem pena nenhuma.





Choram as árvores em Viseu somente porque choram,
e tudo é felicidade entre as lágrimas das árvores.








8/12/09




















Procuro a tua beleza,




nenhuma mais,




só a tua,




a que sei que tens,




a que sinto que tens




a que tens.








Procuro a tua beleza




como o pássaro o ar,





como o vento o ar,





como eu o ar.








Procuro a tua beleza,




como te procuro a ti,




imperturbável-mente,




cega-mente,




incontornável-mente.








Procuro a tua beleza





e nada mais procuro,





porque todo em ti é a tua beleza.


















Tu no sabes lo que me cuesta escribir un poema,
desconoces el tiempo que empleo en intentar
que las palabras sean las que me digan a mi,
las que lleven en ellas lo que soy y lo que siento.







Es un ejercicio complicado a veces,
ademas de porque lo es en si mismo,
es difícil porque yo nunca se como las vas a leer,
nunca se cuando, donde o con quien,
si lo haras contigo misma o no,
si sabre abrir caminos con mis palabras,
que todo lo quieren presenciar y viven en continuo movimiento
y que solo escribo para ti.






Yo se que estoy en mi cuando soy poema,
que quiero ir en el como en un pajaro
y que me gustaria que tu lo sintieses volar,
precursor de un vuelo aun mayor,
el nuestro.







Si te digo que he viajado a ti asi,
precedido por las alas de mis poemas
que te iban anunciando mi llegada,
estare escribiendo mi verdad.







Yo no utilizo las palabras como excusa,
soy en ellas contigo,
son mi viento en popa,
mi cuesta abajo,
mi velocidad sostenida.






Cuando leas este poema,
intenta recibir de mi que esto es asi.






Por muy corrompidas que esten las palabras,
por mucho que sean usadas y prostituidas,
siempre habra en ellas un hueco para mi voz limpia,
un refugio contra el capitalismo y los sistemas,
un aire fresco para lo que yo siento por ti.






Tu no sabes lo que me cuesta escribir un poema,
eso no importa demasiado,
pero tienes que saber que si no escribiese ninguno,
nada de lo que siento por ti cambiaria,
nada de mi en ti seria distinto
y mis alas seguirian volando hacia ti.


















7/12/09



































Com os pés muito frios,

na estacão do desassossego,

olhando o comboio passar,

odiando esta vida de fado

que melancoliza as almas perdidas,

a espera eterna do impossível.











Eagoraarrumar,
arrumartodo,
coisaslivrosimaginações,
palavrasquesóforampalavras,
oamorearazãodointuído,
recuperaraconfiança,
afénaesperança…
todo.












Ama-me agora!!

Agora que já cheguei!!

Confia em mim!!

Desce tu desse comboio!!









6/12/09







~








vestigia flammae [

vestir-se chamas

depois

entornar-se água sobre água

vento que canta

atrás do biombo a face

mais costumada

,arde-que-arde, vulcão d esferas

do centro a-trás

[ do avesso ao

contrário,

anilina-me-ateias-voraz




[ foto robert parke-harrison





.

5/12/09





















Nadie verá este momento,
nadie verá este poema,
ni siquiera tú que lo estás leyendo,
ni siquiera tú que lo viviste conmigo.



Nadie verá estas palabras,
que son origen y consecuencia,
nadie,
ni siquiera yo, que las viví contigo.



La poesía ya fue,
ya se escribió,
ya se dijo,
ya se sintió y se vivió.



Te amé esta manana
y tú ~, que tanto me amas,
no serás capaz de saber
como te amé esta manana.



Lo que yo siento en ti,
por mucho que te lo escriba,
te lo diga,
o trates de escucharlo,
nunca lo verá nadie.



Mi amor por ti es invisible,
este poema es invisible,
la poesía es invisible.



Tú me construyes con tu alma,
que yo sé está en la mía,
cuando debajo o encima,
en cualquier espacio del tiempo
o en cualquier tiempo del espacio,
hago el amor contigo.



Quién puede ver ese momento?
Quién puede entrar en esa poseía?
Quién puede decir que estas palabras
son aquello que fuimos?



Nadie verá este poema,
porque yo lo escribí en ti esta manana,
cuando estaba solo conmigo,
dándote el amor que tengo para ti,
entregándome yo como lo que soy,
queriéndote,
invisiblemente,
en el silencio que solamente interrumpe
el jadeo de mi voz diciendo que te amo y te deseo,
que tú eres este poema y la poesía,
(que jamás será vista por nadie)
que eres lo que buscaron todos los poetas,
lo que se corresponde con Dios
y con todas las cosas invisibles en las que el hombre,
cree, crece y muere.



!! Amor, que poema más extraordinario me has besado hoy en la boca!!
























Ordenar libros,
reunirlos en sus palabras,
en frases que los justifican
y que nos justifican.

Yo no quiero encontrarme en los libros,
no quiero ordenarme por sus frases,
reunirme en ellos conmigo.

Lo que yo quiero es un barco de vela,
unas alas de viento,
unas botas de cuero,
construir con mis manos un mueble
y ordenar los libros contigo y conmigo.








3/12/09





~



como-heras-eras



























creio em lugares profundos

de líquidas comunicações

creio nas veias

dos

poços antigos

nas bifurcações

e também

dos outros

mais recentes mais comuns

mais finitos

acredito a fértil nudez


traçada no tempo-vagar

[ vestido flor-ido tecido

urdido a madeira em tear









[ e creio em shana e robert parke-harrison, autores da foto

.


2/12/09

















Montes de Lícia,
delicia de montes.


Vales de Lícia,
delicia de vales.


Árvores de Lícia,
delicia de árvores.


Rios de Lícia,
rios chorados,
pelas lágrimas dum só Lécio,
que é luz-indo,
que é luz-inda.









1/12/09





















Se as palavras fossem o amor, este séria mentira

e o amor é tão certo como as palavras.




As palavras de amor não são o amor.




Ninguém mente quando ama e o diz com palavras,

mas se engana se acredita nelas como a verdade de amar.




O amor certo, como as palavras certas,

só existem em si mesmos

e ninguém pode transvasar o amor a escrita,

unicamente tentamos descrevê-lo.




As palavras recebem ao amor, quando o é

e o projectam , o enterram, o reverdejem,

o lembram, o transmitem, o ignoram,

o engrandecem, o envilecem, o calam,

o suportam…, tudo segundo o amor seja,

nunca segundo sejam as palavras.




Eu não amo com palavras,

eu amo-te com o amor de amar,

podes sabê-lo quando o escrevo,

mas só o sentirás quando te ame.










30/11/09








No hay ningún momento que precise un poema,

no existe segundo alguno que lo demande,

ni tiempo que lo necesite.








Un solo poema esta de mas para una vida entera.


















Basta con saber esto para ser un poeta,

basta con amar para no escribir nunca

el mas in-existente e in-creible

poema de amor jamas soñado e in-scrito.






29/11/09

ODE AO EXAUSTOR!





Oh, exaustor!
Que tiras o fumo da cozinha,
o ar viciado e malcheiroso,
só e com constância
e uma extraordinária exacção.

Oh, exaustor!
Nunca exausto,
sempre exacto,
nunca exíguo,
sempre exímio.

Oh, exaustor!
Que tomas o pior do que há
para deixar o melhor,
com excelente exibição
da tua exaustiva execução.

Oh, exaustor!
que exprimes o mais exigente
explicitas o mais extático,
arte exógena pura.

Oh, exaustor!
Eu te exorto,
te exijo continues com o teu exercício,
com o extermínio do exército
dos execráveis compostos do expandido ar da cozinha!

Porque nem na Worten,
nem no AKI,
nem em Rádio Popular,
nem em Media Markt (Eu é que não sou parvo)
nem nenhum outro habitat da tua espécie,
vou encontrar outro como tu,

Oh, excelso exaustor!






.








28/11/09









Me duele la cabeza,
ayer bebí mucha cerveza.


Luís hablaba de mi poesía como algo con entidad propia
y tu estabas de acuerdo, como si fuera así la realidad.


Yo sentía y me sentía,
era una mezcla de vanidad, incredulidad
y la conciencia de saber que crezco,
que ando un camino que no va a ninguna parte,
un camino que lleva.


Entre medias, Dios,
la verdad,
la infertilidad,
el infierno,
la mujer y el hombre,
la fatalidad,
salir a fumar un cigarrillo,
el amor (siempre el amor),
la pasión,
sociología mezclada con filosofía
y aderezada con arroz, vino y cerveza,
llamar y hablar con David,
yes I am here.


Después fuimos a esa celebración,
tus amigas, tus amigos,
yo era feliz viéndote feliz,
bailamos,
nos besamos.


Todo habría sido perfecto,
todo habría sido pluscuamperfecto,
supercalifragilisticoespialidoso,
de no ser porque mi poesía aun no existe,
de no ser porque yo estoy aquí,
I am here,
con este dolor de cabeza,
escribiéndote cuanto te quiero.


Ayer bebí mucha cerveza.

















27/11/09





Proponho uma revolução. Sem alardes e quase sem gritos. Sem grandes movimentos de volumes. Será um gotejamento lento e contumaz; um sussurro todas as noites enquanto dormem. Proponho um boicote aos de gravata fosforescente, uma reeducação aos de camisas limpas e passadas a ferro.
O plano é aparentemente simples. Começarei eu mesmo. Conseguirei um trabalho de estacionar carros no melhor hotel da cidade. O desempenharei com eficácia e amabilidade. Cumprirei todos os dias as exigências do meu emprego com a maior das disciplinas e sem levantar suspeita alguma. Serei servil com o banqueiro encapado em meu ridículo fato de cores pirosas e boné de prato. Entregar-lhe-ei sua grande berlinda com celeridade e com um sorriso; nada poderá avisa-lo do que se vai desencadear. Um dia, quando procure seus óculos de sol no porta-luvas encontrarar-se-à com um poeminha de Rimbaud; o lerá; e já estará tudo em marcha.
Ele será o primeiro, mas haverá mais, pouco a pouco, em todos os autos.
Quando o advogado triunfador, seguro de si, desça o guarda-sol, lhe cairá voando devagarinho uma ode de Walt Withman.
Nos carros oficiais dos gerais ordenei primorosamente versos de Benedetti no depósito da água; quando lhe dêem ao limpa-vidros o pára-brisas começará a desenhar-lhes "Corpo Docente" ," Uma mulher nua no escuro" ou qualquer outra.
Em meu carro destrambelhado conectei os poemas de Cortázar às luzes de cruzamento e vou pelas noites deslumbrando aos demais com " Canada Dry" e tantas mais.
A um taxista que trouxe do aeroporto a um desenhista de moda lhe instalei nas luzes do tecto que marcam as diferentes tarifas uns poucos versos de Pessoa, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, para que vão mudando segundo lhe dê ao taxímetro.
Enchi um olho-d'água da bomba de gasolina do meu bairro com o Cântico Espiritual de São Juan De La Cruz, e agora, quem se assoma à janela, vê sair o misticismo dos canos de escape. Amanhã vou pintar as rodas do carro do presidente com Ángel González; o farei com pintura de água para que quando chova nos deixe as ruas perdidinhas de Angel.
Fica ainda tanto por fazer!
Será uma guerra sibilina e subtil contra Notários, um calhau no sapato dos jornalistas a cada dia; serão curto-circuitos nos semáforos. Com o tempo se irão empapando os políticos, terão os juízes remorsos, Nadal começará a tirá-las fora. Nas fotos dos radares aparecerá gente disfarçada de palhaço ou de Spiderman. O Papa desdobrará uma camisinha na intimidade de seu banho pensando: e se estiver certo? Os jogadores de futebol entrarão sorrindo nas bibliotecas. Os policiais se abraçaram entre eles (quando tirem o uniforme nós também nos deixaremos abraçar por eles). A África seguirá dançando. Será um jorro lento e imparável mudando nossa história.



Y.P.T












.












.

26/11/09





~


monstro s









era uma mulher

que estranhamente vivia

em si

entrava e saía do seu ovo

ora muito feliz

ora pouco infeliz

] e não menos

es tra nha mente

este poema é só assim

assim-apenas

[ somente as sim

e

acaba mesmo subita mente

sai a mulher

acaba aqui

segura o ovo acaba

em pi







.

















Monstro minúsculo e latente,
coração tão desgraçado,
grão semeado com a semente
do esquecido e nunca arrumado.





Monstro duma só cabeça,
dragão que vomita sua fé,
com aquela fereza certeza,
de quem acredita naquilo que não vê.





Monstro que esconde a menina
que soltamente pretende dançar,
só escutar ao seu pai cantar
aquela canção tão pequenina.





Monstro obrigada a ser monstro,
a percorrer o seu próprio caminho,
monstro do medo disposto
a fazer um grelhado entrecosto
com um medo tão mesquinho.




Monstro com corpo e nome,
que habitas na alma do tempo,
que reconheces o desconcerto
de ter esquecido aquele vento
que trouxe ate ti o teu homem.





Monstro que merece o perdão
que todo monstro merece,
monstro que no castigo cresce,
e perece na sua solidão.





Monstro isolado e vadio
do mundo e sua mudança,
monstro, a menina dança,
e seu pai no algaravio
faz que a agua do rio
nunca precise vingança.

























Podem as palavras argumentar tudo,


levantar teorias do mais esquisito e incrível,


perante as quais,


nenhuma palavra pode ser contraposta.





Assim, a palavra vence a própria palavra,


a palavra cala ante ela.





Por vezes, o vencido e o ganhador.









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