Escucho el silencio del tiempo que pasa _ escuto agora o silêncio, me quedo con él y en él, entro en las letras y en los números _ atravesso letras e números, embalo e calo _ las callo y los cuento, busco el prodígio de la relación constante _ afloro o prodígio da relação constante, a assombrosa claridade do silêncio, o encontro transparente da verdade _ el asombro cintilante de la vida ____ SOY pi & phi _


20/5/09






















Oh, Isis¡

Mãe do Cosmos

Raiz do Amor

Fazme teu!
















~






)) volt-e-ação















rebentação-bala-cor-ação (

celebrar a ausência
de cérebro

na representação
iconográfica

e depois-depois
seguir a-penas


a palavra que se des-enrola a
es-tender seda e glicínias

aquela-que-chama-a-seda
nos apeadeiros do douro

[ mascarada a veludo

a seda regressa ocre-cansada
no comboio azul

amarela-dor-mente-anseia

o fim-da-tarde a negra-noite-sub

terrâ-nea









18/5/09

























Quis querer-te porque sentia
que poderia contigo voar,
quis querer-te porque queria

sentir-me vivo contigo no ar.



E te quis voando nú,
fomos pássaros inexplicáveis,
eu nas tuas asas, nas tuas asas tu,

voamos vôos inimagináveis.



E agora, pousado na terra,
voando contigo quero-me ver,

quis querer-te acima dela

e hoje quero-te sem querer.



















Acho que escutar os dois ao mesmo tempo é o melhor.
Os dois arquivos,
You and me.













17/5/09

















Beijoliquidoquechovesalivanocentrodocoraçãodeáguatransparenteque

fluientreobeijoliquidoquechovesalivanocentrodocoraçãodeágua

transparenteelhedáàchuvaaluzquetransmiteumbeijoliquidoque


chovesalivanocentrodumcoraçãodeáguatransparente.




























Pedi um fino e paguei com uma nota de cinco euros.

Entrou no bar uma velhinha diminuta, claramente romena, com um lenço na cabeça e um muito pobre espanhol pedindo-me dinheiro, dizendo que seu filho morria no hospital, que tinha ficado sem trabalho, que ela tinha que cuidar de seus seis netos, que um deles estava também doente em casa e necessitava medicamentos, que queria o dinheiro para ir à farmácia...

Eu não sabia se era verdade ou não o que me dizia
Como sabê-lo?

Dei-lhe o troco dos cinco euros e ela disse: Que Deus te abençoe!
Então soube que mentia.



















Sinto-te nesse labirinto teu,
profundo e misterioso,
magnético e adictivo para mim,
que me obriga a ti, de certo modo,
mas que é fluido como o vento,
a quem ninguém obriga.

Sim,
sinto-te aí
e me brigo comigo
em uma batalha que não é luta,
que é o desejo de crescer,
a vontade de sentir que te aprendo,
que sou capaz de des-aprender,
de evitar as palavras,
de não esquecê-las,
de des-fazer-me de hábitos e signos.

Aí sinto-te,
como algo vivo,
como uma força vital.
como energia,
como catarse do tempo,
como luz,
como A Viagem.

Mas também és a porta escura,
a tua,
essa que parece reclamar a morte como uma entrada à vida
para sair donde não lhe correspondia viver,
porque nasceu equivocada.

Mas,
amor,
eu digo-te o que já sabes:
Não sonhes de noite e durmas de dia,
agarra-te ao retorno,
às planícies de flores,
aos vestidos sem vento nas costas,
aos poços,
aos sinos,
à luz que brilha ao outro lado do río,
às águias paradas no ar.

Amor,
não te vás de ti,
não me deixes sem mim,
aferra-te à verdade,
a esse desejo que te planta na terra,
às laranjas,
à virgindade,
a tua herdança perdida,
à casa,
ao quintal,
às presenças que te dizem ¡¡Volta!!
não às que te dizem que vás.

Passa um navio agora diante de mim,
porque te escrevo no porto,
um navio que se chama Estrela de Ancora
¡¡Como se as estrelas se pudessem ancorar!!

¡¡Brilha, amor meu!!
Luz como a própria iluminação,
cintila,
relampeja,
ilumina-te a ti mesma,
volta a nascer,
volta a viver,
não deixes que nada te leve,
nada que não sejas tu,
tua verdade.

Esquece aos mortos, amor,
que estás tão viva,
tão eternamente viva,
como a terra,
como o vento.

E agora,
sinto-te tão segura,
como o estou que és tão essencial
como nosso amor,
profundo,
misterioso,
magnético,
adictivo
e tão livre como tu,
que ao fim farás o que queiras,
mas sabendo que eu,
quero-te entre as flores,
não em quartos vazios.

Mesmo que te quero igual,
porque nem posso nem quero sentir-te
como nada que não sejas tu.

¡¡Volta, Luz!!
¡¡Que é em ti a vida!!










15/5/09






~





[ dark-forest-blue-room











mor


ria-dor


mia













dor m i a







dor m


ia ~









] imagem ruela para ~pi, alter





.

13/5/09







~




formigar







lenda de

cigarra sonolenta

( minucioso
fabular

) dez flores ad vento
planar ~












.

12/5/09






















Morreu.
Ou nao?






























No treze de Maio a virgem Maria desceu dos céus a Cova de Iria?






Amanhã não vou a Aljustrel,

não vou desobedecer a Deus,

não vou pensar nele,
não vou ser mais nada que um ser,

nada de cantor.





Amanhã não vou ir a Aljustrel,
não gosto de ver crianças mortas,
prefiro senti-los guardar os rebanhos,
brinc-ar às cinco pedrinhas,
pens-ar as suas sensações
e que sejam felizes assim,
sendo ser-es.




Amanhã,
re-negarei a ment-ira da fé,
o ven-to só falará do ven-to
e eu cumprir-ei com meu dever de não querer perceber,
com meu dever de sent-ir,
assim,
por fora,
como se eu fosse a natureza.





Amanhá, vou ter contigo









"In memoriam de crianças mortas, de poetas sózinhos, sem ambições"









11/5/09
























Guarda para mí tu llanto ciego,
lo que sientes en las manos, en la boca,
tu sinestesia que todo lo toca,
el amor vivo y el día nuevo.


Guarda para mí eso que sabes
que solamente guardas para mí,
y dame todo lo que guardes,
yo no guardo nada para ti.


Dale a la noche lo que quieras,
al día lo que quieras también,
pero guarda para mí tus cosas ciegas,
llora sobre mi tu piel entera,
hay llantos que los muertos nunca ven.












~



























esta noite não me deitei, nicholas
ficámos a arrumar a roupa de inverno, a chás e café

( ajudaste aqui e ali,

como se fizesse sentido,
sorrias à minha ingenuidade

mas continuei imperturbável,
( bem sabes como sou obsessiva

como sou clara e limpa nestas coisas

porque havemos de deixar tudo desarrumado
cada vez que mudamos de lugar!?

pois, eu sei, eu sei, a nossa arrumação
é uma coisa muito própria,
pronto, é, mas não faz mal,

e arrumei e erromei [
como se me fossse possível

esperar por um amor mais vivo que o teu
( como se tal existisse,

e assim, como se fosse possível

sobreviver às papoilas,
às giestas,
às 3 pintinhas dentro das flores da esteva
) lembras-te?
( eventualmente às íris do arco
à brancura sexual das luas

ao sopro afrodisíaco de maio,
ao sorriso de cinza luminosa que me davas

à tua líquida língua
) voz rosa-fruto







[ foto de maria flores, alterada







.










Dizem que o mundo mudou,
mas eu não acho.

A arte é uma velha caminhando
com a lentidão do tempo,
não há cultura como essa,
a de sempre.

O luto pela vida perdida encontra-se na vida,
os sinos são as horas, não as dizem,
os pássaros pousam nos sinos e voam sobre eles,
as árvores custodiam a passagem das coisas
e os navios se vão.

Eu ja não vivo aqui,
isso não significa nada,
porque meu viver não é necessário,
como não o era antes de ti,
como não o foi nunca.

Eu sou a velha que caminha,
sou a cultura,
a arte,
o luto,
a vida perdida,
os sinos,
as horas,
os pássaros,
as árvores
e um navio que se vai.

Mas o mundo não tem mudado,
não o sinto nem o penso
e só quero um amor anónimo,
invisível,
intocável.

Não me importa que não me vejam,
que não saibam que estive aqui,
não me importa não haver produzido,
não ter obra,
não permanecer,
não me importa nada se posso ser eu,
se posso amar-te e amas,
se sentes este poema que caminha como o tempo,
que navega em ti e em mim,
que esquece a vida
e que nem eu mesmo sei onde me leva.

Escuta,
querida,
eu não sabia que em mim
havia um homem que sou eu,
um alguém diferente de quem era,
um estrangeiro tão familiar.

Achei sempre que eu era igual a todos,
quando muito um pouco estranho,
nada que me levasse a navegar.

Mas agora sei que não sou um morto,
que tudo o que tenho é meu,
que está em mim tudo o que sou,
que necessito explicá-lo,
mesmo que ninguém me escute.

Não tenho nem ideia de onde irá meu mundo,
esse que não tem mudado,
esse que ainda não é,
mas sei que está em mim
e que mudará sem mudar,
que será diferente sendo eu
e que nessa esperança vai o presente,
porque tudo há de chegar,
como chegas tu a mim,
como chega um navio que vem.





















10/5/09










Foi no agora,


meu amor não aguardou,


em nossa caminha.




Fazia muito tempo que não me sentia TANTO!













8/5/09












Ante diem V Idibvs Maivus,
beijar o ar,
ou-vida à água,
ser lugar sem a lugar se,

vir-ar a luz,

volte ar à luz,

nos lenços brancos de nossa cama
.
























7/5/09






~








[ por muito que alongássemos os gestos de agonia

e me enchesses a boca de vazio

interessava-me cada vez mais a


estreitíssima pas_sagem









.
















Cheira a café.

Cheira,
enquanto penso em escrever o cheiro
e voltam as palavras a negar-te,
a distrair-me de ti,
a ser a forma na que te
esqueço todos os dias.

E neste dia,
esqueço-te semi-nua,
na cozinha de tua casa,
pela manhã,
meio adormecida,
quando tomavas um café
e seu cheiro inundava tua boca.

Vens no cheiro,
nas palavras que te negam,
no esquecimento diário de ti,
na boca que não beijo.

Vens em mim,
porque não voltas.

Cheira a café entre tu e eu,
e minha chávena está tão vazia como as palavras.





.














-

Sei que escrevo na água,
mas não me importa,
porque sei que escrevo.

Vou no río,

sou nele,
não o explico,
não o defino,

não o crio,

simplesmente vou no fluir.


Sombrio eu,

meu rastro não tem intenção de sê-lo,
como o río não a tem e, se é río,
o é porque vou nele,

por não ser assim nem río seria,

como eu não seria sem o río.


E tu,
que olhas desde a margem,


desde fora da escrita,

somente achas ver um fantasma,
um pássaro morto na água,
uma alma perdida,

sem saber em nenhum momento

que eu estou ali.

Mas não me importa,

porque sei que escrevo na água

e porque sei que tu es em mim.


(Ilustraçao: ALBERTO VÁZQUEZ)






6/5/09










Inscrita em mim sem qualquer forma,
sem forma alguma,
sem fórmula,

sem número,

sem letra.



Inscrita desde antes do tempo
no qual o tempo lhe deu fórmula e forma à vida,
desde antes de deus e de Deus,
desde antes da sua saliva sobre a terra vazia,
da criação do barro e com ele do teu corpo,
do qual emergi eu sentindo-te inscrita em mim.



Muito antes de conhecer-nos,
muito antes deste poema,
da palavra,
da voz,
do silêncio,
muito antes que sentisses
que eu estou, sem qualquer forma,
inscrito em ti.




[ Ilustraçao aborrecida ]





















Cada vez que beso tus labios,

los besos que me das son distintos.






Esa diferencia es lo único igual

cada vez que tú y yo nos besamos.











5/5/09


















Fui o homem que sorri,
aquele que voou os ventos dos desertos do norte,
o que cruzou o mundo para viver,
voltou a atravessá-lo
e retornou.

Fui tão jovem
que quase não me dim conta,
tão feliz
que quase parece-me mentira.

E hoje,
quero aquela felicidade,
com o mesmo sentimento
com o mesmo desejo,
com a mesma vontade de cruzar o mundo.

Hoje sei que tudo foi verdade,
que tudo o é
e por isso sorrio de novo,
porque gosto de viver.


















4/5/09




~



[[pink moon-house lagoon]]






um destes dias ver-nos-emos em cambridge, nicholas
um destes dias em que não havemos de estudar nenhuma literatura

contar-te-ei que fui ao ginecologista







e olharás para mim sem ver, como de costume.
se esboçares um sorriso, traduzirei ( mas não é provável

ai nicholas, nick, pouco tempo, nada




da água o silêncio moinhando tardes

tão incenso fumo nas tuas muralhas
tanta pink moon

na casa do lago


escavar buracos onde antes olharas
correr-te a poentes de barco a virar
cidades ao longe a zumbir cascatas

( viola viola ~viola arqueada

olha ( digo-te agora, espalhei as cinzas
ao florir da noite nos montes de burma
sorvi-as ali na raiz do orvalho
nada te prendi e abri-as ao vento
onde possas voar

mil cantos mil sinos se ergueram de lá
senti-os correr, ouvi-os soar ~
´now we rise and we are everywhere`
and nicholas, wait a moment,
just a moment ( so soon i´ll be there


























Nick Drake olhava-nos sem olhos
e eu te via do mesmo modo,
porque meus olhos ja não eram meus
e eu queria ver pelos teus.

Escutei então
(agora o sei)
imagens de ti.

Foi um exercício psicodélico
e as únicas drogas
foram a música e tu.
















3/5/09









Faz click na imagem











Tanto vive em mim o escrito como o vivido,
às vezes sinto que é o mesmo,
mesmo que não o seja.


Sinto-me vivo ao escrever,
escrevo o que vivo
e sei que não vivo enquanto escrevo.


Mas não posso negar o que sinto
e sinto em mim o peso da vida
e o peso de viver escrevendo,
Tão vivo!









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